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A redução da pegada carbónica não se faz por decreto

16 dezembro 2024

Ricardo Santos, diretor Comercial da PRIO

A PRIO acredita que no médio e longo prazo a utilização de combustíveis mais ecológicos será mais económica e que os consumidores são bem capazes de fazer escolhas inteligentes, desde que tais soluções existam e funcionem. É isso que a energética diz oferecer, trabalhando em novas soluções que promovam uma mobilidade mais verde e sustentável, e mesmo as frotas nacionais já se começaram a aperceber da importância de práticas mais sustentáveis nos seus negócios. 

EUROTRANSPORTE - Uma vez que a PRIO já dispõe de tais soluções, tem esta notado alteração de sensibilidade dos clientes para a necessidade de adoção de novas práticas sustentáveis (vulgo, os combustíveis de baixo carbono)?

Ricardo Santos - Cada vez mais, e ainda bem, os consumidores são mais exigentes e informados relativamente às questões ambientais e de sustentabilidade. As empresas do setor dos transportes têm também essa consciência e é revelador ver como cada vez mais se leva em conta o impacto ambiental.

Naturalmente que as nossas escolhas, seja enquanto clientes, seja enquanto negócio, refletem vários fatores. Mas sentimos que há de facto um espaço de mercado cada vez maior em que a inovação permite combinar escolhas simultaneamente mais sustentáveis, mas também economicamente viáveis. É algo muito positivo, que a redução da pegada carbónica não é algo que se faça por decreto. Depende de boas escolhas por parte de todos nós e enquanto energética é isso mesmo que fazemos, trabalhando em novas soluções que promovam uma mobilidade mais verde e sustentável sem abdicar da competitividade essencial ao funcionamento da economia.

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Pode sintetizar as virtualidades do portfólio de tais combustíveis, sejam o Eco Diesel ou o Diesel HVO...

O que na PRIO procuramos sempre fazer é oferecer a melhor solução ao melhor preço. O nosso portfólio é um reflexo direto dos nossos valores e objetivos. Somos fiéis defensores do chamado mix energético. Queremos liderar a transição energética acessível e é tendo isso em mente que procuramos ter soluções diferentes, que permitam que cada vez mais pessoas possam descarbonizar já. Foi por essa razão que fomos pioneiros na mobilidade elétrica, mas continuámos a desenvolver produtos que respondem, melhor e mais eficazmente, à necessidade de reduzir a pegada de carbono. O ECO Diesel é um ponto alto no nosso portfólio, até porque fez o caminho do setor dos transportes até ao mercado geral. Incorpora 15% de energia renovável, proporcionando melhor performance e menos emissões. Mas no setor dos transportes, que tem uma missão exigente de descarbonização, temos já soluções como o Diesel HVO – um biocombustível que oferece uma redução substancial das emissões de carbono, sem comprometer o desempenho dos veículos pesados. A redução de emissões não vai acontecer por decreto. Vai acontecer por haver boas soluções disponíveis no mercado, mais eficazes, mais ecológicas e competitivas no preço. É isso mesmo que vamos continuar a oferecer a todos os nossos clientes.

Advoga a empresa a necessidade de uma transição energética acessível, que não comprometa a competitividade económica. Mas também se sabe que alguns consumidores não estão dispostos a pagar mais por um combustível só por razões ambientais. “A produção dos biocombustíveis só quando estiver massificada poderá ser competitiva em preço à dos combustíveis fósseis” (citando o secretário-geral da Apetro, ao ECO). Como pode a PRIO contrariar esta tendência? Através de uma política de preços? Fará falta uma política de incentivos?

De forma geral, e mesmo quando os inquéritos mostram que os consumidores estão preocupados com questões ambientais e a sua pegada carbónica, há sempre alguma reticência em pagar mais por um produto como o combustível. Não há nada de errado nisso. Há muitas razões pelas quais podemos adquirir um produto, mas o preço será sempre tido em conta. Na PRIO acreditamos que a evolução de hábitos de consumo está já a acontecer e será gradual, mas que a eficácia depende de vários fatores, sejam políticas que promovam produtos ambientalmente diferenciados, sejam incentivos que promovam processos de produção e produtos mais ecológicos, sejam os próprios produtos em si. E este fator para nós é importante. Quando uma pessoa atesta com ECO Diesel, não está apenas a beneficiar de um produto mais ecológico. É também um produto mais eficaz, que “vai mais longe”, como gostamos de dizer na PRIO, e mais limpo, o que quer dizer que traz também melhorias em termos de performance e manutenção. O ECO Diesel é “eco” não apenas pelo lado ecológico. É também porque no médio longo prazo é mais económico. Os consumidores fazem escolhas inteligentes. E são bem capazes de tomar decisões mais ecológicas, desde que as soluções existam e funcionem. É isso que oferecemos.

As frotas nacionais já incorporaram as melhores práticas? Qual tem sido o contributo da PRIO? Há algum caso particular que mereça ser mencionado? Têm os seus gestores procurado aconselhamento junto da empresa?

As frotas nacionais já se começaram a aperceber da importância de práticas mais sustentáveis nos seus negócios. As empresas vão estar obrigadas ao reporte e à divulgação pública de informações sobre os seus impactos a nível ambiental, social, nos direitos humanos e em fatores de governação (ESG) o que terá também grande impacto no crédito bancário. Cada vez mais os financiadores pedem informação às empresas que permita aferir as suas práticas ESG incluindo eventuais medidas em prática que possam mitigar riscos de sustentabilidade. Esta prestação de informação adicional é um fator crítico de sucesso para empresas que pretendam crescer ou manter-se em atividade e precisem de fundos externos. Um futuro mais verde não é um capricho de alguns, é mesmo um objetivo comum para o futuro da mobilidade. A PRIO tem procurado ser um parceiro essencial para empresas que procurem melhores soluções ecológicas, não apenas na entrega de produto, mas por contarmos também com esse ‘know-how’ que partilhamos com os nossos clientes, que muitas vezes o procuram (o que só revela a vontade bem expressa de fazerem mais e melhor). Em qualquer país, o setor dos transportes tem uma fatia considerável nas emissões de carbono, e Portugal não é exceção. Este é um desafio exigente, coletivo, e temos grandes parceiros que trabalham connosco, que nos têm acompanhado nesta nossa vontade de liderar a descarbonização no setor.

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Gostava também de destacar um projeto em particular, muito especial porque envolve não só uma parceria entre setor privado e público, mas que conta com o apoio da comunidade, em particular dos mais novos. É Beato Bio-bus, um projeto inovador que desenvolvemos em parceria com a Carris, que consiste na implementação de autocarros movidos a biodiesel produzido a partir de óleos alimentares usados, recolhidos na área do Beato, em Lisboa. É um bom exemplo de como juntando esforços todos trabalhamos para mais e melhores soluções.

Tem a PRIO um serviço de apoio dedicado a este tema?

Sem dúvida. Temos uma estrutura interna capaz de prestar apoio diferenciado aos nossos milhares de clientes frotas e damos apoio e informação que promovem uma gestão mais eficiente das viaturas e respetivos consumos. Sentimos que existe uma confiança nos serviços que prestamos e esse reconhecimento é algo que nos orgulha e motiva para continuarmos a crescer de forma sustentada e sempre com o melhor serviço para os nossos clientes.

O cartão frota PRIO tem tido um crescimento significativo? De acordo com as vossas expetativas? Quais as principais vantagens em aderir?

O cartão frota tem demonstrado um crescimento significativo, o que reflete a confiança dos nossos clientes. As principais vantagens do cartão PRIO, além de ser um método seguro, com preços competitivos, disponibilizar um portal de gestão prático, intuitivo e em tempo real, são sem dúvidas as pessoas. Temos uma equipa dedicada, competente e profissional, sempre disposta a ajudar os nossos clientes. “Sem complicações” é um mote que levamos a sério na PRIO. É por isso também que o cartão surge sem anuidades nem custos de adesão. E, claro, pode ser usado numa rede, PRIO e Shell, de mais de 250 postos de norte a sul do país – rede essa que vai continuar a crescer.

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A eletrificação das frotas é outro vetor a ter em conta. Onde se situa a PRIO?

A PRIO foi pioneira na mobilidade elétrica no país, enquanto continuámos a desenvolver produtos diferenciados que permitam que diferentes consumidores possam contribuir, já, para este desafio da descarbonização. Não é só um vetor que temos em conta. Desde a sua fundação, há 18 anos, que a PRIO tem crescido por trazer soluções para os clientes. A eletrificação será sempre um vetor essencial. O que gostamos sempre de ter em conta é que a energia do futuro não dependerá de uma só solução, mas de várias.

A PRIO tem investido fortemente nos últimos anos. Em que patamar se encontra no mercado? Que prepara para um futuro próximo no que se refere a tecnologia de combustíveis?

A PRIO continua a crescer de forma sustentada e enquanto energética essa vai continuar a ser a nossa premissa. O nosso investimento em Portugal tem permitido criar mais emprego e contribuir para a transição energética, nomeadamente com know-how e produções nacionais.

Desde a sua fundação que desenvolvemos e melhoramos o nosso Centro Novas Energias, na região de Aveiro. Temos vindo a fazer fortes investimentos em I&D, que, entre outros, nos permitiu converter a unidade de produção de biodiesel numa fábrica com capacidade de utilizar 100% de matérias-primas residuais, fomentando a economia circular. Criamos emprego (já somos mais de 1300 pessoas) e vamos continuar a aumentar a nossa rede para estarmos mais próximos das pessoas e para melhor as podermos servir com as soluções energéticas diferenciadas que nos caracterizam. O futuro será mais verde. E tenho a certeza que a PRIO vai continuar a ter um papel essencial nesse futuro que todos ambicionamos.

IN Eurotransporte #142


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