Acesso Guimard volta à estação do Metro de Picoas

06 fevereiro 2025
4min.

O restauro, que envolveu uma estreita colaboração entre os Metropolitano de Lisboa e de Paris, foi feito em Portugal

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A emblemática entrada Guimard da estação Picoas do Metropolitano de Lisboa, na Rua Andrade Corvo, voltou a ser colocada após um processo de restauração integral efetuado inteiramente em Portugal. O restauro envolveu uma colaboração estreita entre o Metropolitano de Lisboa (ML) e a RATP (Metropolitano de Paris), responsável pelo património histórico do metro de Paris.

Para a realização dos trabalhos de restauro, a estrutura do acesso Guimard foi cuidadosamente desmontada e retirada entre os dias 18 e 23 de novembro de 2023. Posteriormente, após a conclusão dos processos de recuperação e conservação, a reposição da estrutura foi executada entre 30 de setembro e 23 de novembro de 2024, garantindo a devolução deste emblemático elemento à sua localização original, com a dignidade e o esplendor que lhe são devidos.

O processo de restauro, com um custo aproximado de 50 mil euros, englobou uma rigorosa catalogação das peças, acompanhada de uma avaliação pormenorizada do seu estado de conservação. Procedeu-se a uma decapagem inicial, destinada à remoção de camadas de tinta envelhecidas e à eliminação de oxidações acumuladas ao longo do tempo. Elementos danificados foram criteriosamente restaurados, reconstruídos ou, quando necessário, substituídos em fábrica, assegurando a fidelidade à estética original e a longevidade deste património de inegável valor artístico e cultural.

Esta icónica peça de mobiliário urbano, conhecida como acesso Guimard, foi oferecida ao Metropolitano de Lisboa pela RATP, no âmbito de um programa de intercâmbio cultural entre redes de metropolitano. A sua instalação ocorreu no átrio sul da estação Picoas, após as obras de remodelação realizadas em 1995, consolidando a ligação simbólica entre Lisboa e Paris através de um elemento de elevado valor artístico e histórico.

Os acessos Guimard foram concebidos no início do século XX pelo arquiteto e designer francês Hector Guimard, nascido em 1867, amplamente reconhecido como uma das figuras mais proeminentes do movimento Arte Nova em França. Estas estruturas, que se tornaram verdadeiros ícones da Arte nos Metropolitanos, exerceram um impacto profundo na paisagem urbana parisiense, conferindo-lhe uma nova dimensão estética e funcional, que ainda hoje evoca a elegância e a inovação características dessa época.

O estilo artístico em que estas peças foram concebidas – a Arte Nova, então nos seus primórdios – não era amplamente reconhecido pelo público em geral, acabando por se popularizar sob a designação de “Estilo Metro”. Hoje em dia, estes acessos Guimard são parte integrante do património artístico de Paris, sendo amplamente celebrados como um dos “ex-libris” mais emblemáticos da cidade, símbolos incontornáveis da sua identidade cultural e histórica.

Embora Paris seja o berço das emblemáticas entradas Guimard, poucas cidades no mundo têm o privilégio de contar com estas obras icónicas da arquitetura Arte Nova. Além de Lisboa, apenas seis outras cidades possuem estruturas Guimard, fruto de intercâmbios artísticos promovidos pela RATP.

A mais antiga destas instalações fora do metro de Paris foi doada em 1967 à cidade de Montreal, no Canadá, para embelezar a estação Square Victoria. Nos anos seguintes, estruturas Guimard chegaram também aos metropolitanos de Washington, Chicago, Cidade do México e Moscovo, sendo esta última a mais recente, inaugurada em 2007. Todas estas instalações foram generosamente cedidas pela RATP aos respetivos metropolitanos, tornando-se raridades que sublinham a exclusividade e o valor artístico destas peças únicas.

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