300 camiões paralisados devido à subida do preço dos combustíveis

14 março 2022
3min.

Demarcados da ANTRAM, vários transportadores decidiram iniciar esta segunda-feira um protesto.

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Autodenominam-se “Plataforma para a Sobrevivência do Setor” e representam cerca de 200 empresários que, insatisfeitos com a posição da ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) na reunião deste sábado, decidiram manifestar-se a título próprio contra o Governo.

Assim, desde esta segunda-feira e até haver resposta às suas reivindicações, os transportadores irão deixar estacionada, na zona de Lisboa, 20% da sua frota, o que corresponde a mais de 300 camiões paralisados. Para já, não prevêem o bloqueio de estradas nem a realização de greves, sendo "um grupo de paz".

Recorde-se que os transportadores rodoviários de mercadorias não foram abrangidos pelas medidas anunciadas pelo Governo para mitigar o impacto da subida dos preços dos combustíveis (que incluem a subida do desconto no Autovoucher de cinco para 20 euros e o prolongamento por mais três meses do apoio dado a táxis e autocarros).

No sábado, os sócios da ANTRAM estiveram reunidos em plenário, em Pombal, para analisar esta situação e aprovar medidas para o futuro do setor. O porta-voz da associação, André Matias de Almeida descreveu o encontro como “muito duro e tenso”, onde foi evidente um “crescente de insatisfação” dos sócios. No entanto, ficou decidido pedir uma reunião com o Governo e, para já, a ideia passava por não sair à rua em protesto.

Na sequência deste plenário, destacaram-se as vozes discordantes e, logo no domingo, foi criada a Plataforma para a Sobrevivência do Setor, que arrancou com uma paralisação parcial das frotas por tempo indeterminado. Paulo Paiva, que tem sido o porta-voz deste grupo de empresários explica que é necessária “liquidez imediata nas empresas”, pelo que defende a redução nas portagens da classe quatro para a classe dois, a redução provisória de impostos, a redução direta no fornecedor do gasóleo profissional, a obrigatoriedade da anexação da variação do valor do combustível na fatura de frete ou o alargamento do gasóleo profissional a viaturas de peso igual ou superior a 7,5 toneladas.

Propostas que, a seu ver, são exequíveis e que estão "ao alcance do Governo". Estas reivindicações serão apresentadas ao Governo, em sede própria, numa reunião que os empresários esperam ainda marcar.

Depois da subida galopante dos preços dos combustíveis na última semana, hoje o preço por litro do gasóleo sobe mais cerca de 14 cêntimos e o da gasolina 10 cêntimos.


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